Bem vinda. Esta mão que te aperta é suave como vês. Mas ainda vigorosa. O dedo que vai acariciando a palma da tua mão pertenceu a artistas, a guerreiros, a fadistas e poetas, pertenceu ao vento e á água cálida de um lago ao luar. O braço que se estende, apontando-te a porta, é esguio. Magro e cicatrizado. Marcado. Cada veia saliente diz-te apenas o que não queres ouvir... já não há sangue quente que as possa percorrer. Frio. Gélido. Capaz de congelar as águas cálidas de um lago ao luar. Os olhos... os olhos que te olham não são meus. São tristes e sem expressão. Gastos, gastos. Em rasgos de visões violentas e promessas incumpridas do que assistiram sem viver. Como rapaz do tambor que fui, impedido de combater. São a ideia concreta de que lá longe existe uma aldeia com um lago com águas cálidas. Lidas as mágoas, não lides com elas. Desvia o olhar, estrangeira, que o meu pode queimar. Embora triste e sem expressão. É fogo-fátuo e ilusão.. não te enganes.. são apenas sonhos que vislumbras. Mas não me olhes nos olhos. Olha-me a face... falta um sorriso, bem sei. Pensei que sabias a minha história. Sabes... são apenas rumores. As pessoas que te digam que um dia eu sorri, enganaram-te. Olha para os meus lábios, agora... não são lábios de alguém feliz, pois não? Como esperas ver esta curva efémera formar-se e desaparecer? Ainda assim, toca-lhes. Estão frios. Gélidos. Não, estrangeira. Nunca os verás rasgar-se, num lento movimento, e formarem - por um momento - um esboço de sorriso.Preciso deles, agora. Retira o teu dedo. Deixa-me falar estrangeira.
És bem vinda, se quiseres entrar nesta porta. Mas há algo que para mim não importa, mas que te vejo a pensar, talvez confusa e assustada. E sabes?... Tens razão. Já não tenho coração. Ficou algures na lua cheia, ou no cheiro a terra molhada daquela aldeia, ficou no lago de águas cálidas, ficou no velho porão, ficou soterrado na terra que mineiro algum escavará, ficou no velho Pomarão.
Se ainda assim queres entrar, és bem vinda estrangeira. Mas se olhares agora para os meus olhos verás que te avisam... « não..».
Monday, 16 November 2009
E no tempo das lágrimas nunca te vi avançar contra a morte. Forte, corajoso e leal. Como foste toda a vida.
- Avô, porque dizes que no xadrez a peça mais importante é a rainha?? Não devia ser o Rei?
- Pergunta á tua avó. Ela não sabe jogar mas responde-te.
Nunca lhe perguntei.. ainda hoje há tantas perguntas por fazer. Tantas respostas irónicas por ouvir... vê se te lembras velhote: estavas no hospital. Não me queriam deixar entrar. Tu ameaçaste tirar todos aqueles tubos, fios e coisas esquisitas, se não deixasssem entrar o menino...
Depois mandaste-me aproximar... e com o teu derradeiro esforço ainda conseguiste sorrir... e perguntar:
- Quais são os jogos do fim de semana?
- Vô, o Benfica vai jogar a Faro, o Sporting recebe a Académica e o Porto recebe o Estoril.
- Só o Benfica é que joga fora? Sacanas... arranjam sempre maneira de jogar em casa para lixar o Benfica...
Depois piscaste-me o olho. Como sempre fazias quando acabavas de ser « sacaninha ».
Depois fechaste os dois olhos, e aí sim... foste sacaninha. Forte, corajoso e leal... mas sacaninha.
No tempo das lágrimas fica apenas o nó, apertado, o nó gasto. E ficas tu. Que avançaste para a morte forte. Corajoso e leal. Como foste toda a vida.
Até já...
- Avô, porque dizes que no xadrez a peça mais importante é a rainha?? Não devia ser o Rei?
- Pergunta á tua avó. Ela não sabe jogar mas responde-te.
Nunca lhe perguntei.. ainda hoje há tantas perguntas por fazer. Tantas respostas irónicas por ouvir... vê se te lembras velhote: estavas no hospital. Não me queriam deixar entrar. Tu ameaçaste tirar todos aqueles tubos, fios e coisas esquisitas, se não deixasssem entrar o menino...
Depois mandaste-me aproximar... e com o teu derradeiro esforço ainda conseguiste sorrir... e perguntar:
- Quais são os jogos do fim de semana?
- Vô, o Benfica vai jogar a Faro, o Sporting recebe a Académica e o Porto recebe o Estoril.
- Só o Benfica é que joga fora? Sacanas... arranjam sempre maneira de jogar em casa para lixar o Benfica...
Depois piscaste-me o olho. Como sempre fazias quando acabavas de ser « sacaninha ».
Depois fechaste os dois olhos, e aí sim... foste sacaninha. Forte, corajoso e leal... mas sacaninha.
No tempo das lágrimas fica apenas o nó, apertado, o nó gasto. E ficas tu. Que avançaste para a morte forte. Corajoso e leal. Como foste toda a vida.
Até já...
Sunday, 15 November 2009
Ainda no tempo das lágrimas, o menino era feliz. Nunca pensou que um carrinho de rolamentos em miniatura ( sem a caixa de madeira gamada na mercearia da Gertrudes ), atingisse tal velocidade. Realmente.. um sapato tosco, quatro rodinhas... e voava!! O pior era quando o Sr. Vovô lhe largava a mão... ainda voava sim, mas contra a parede!
- Vô... o carro não tem travão!
- São patins, menino...
Talvez tenha começado aí a viragem. Ou a viagem. Ou a vertigem. A parede começou a ser amiga e conselheira. Como não haveria de ser, se o menino já lhe tinha tocado, esbarrado, empurrado, rasgado... até amante seria, decerto. Se não falássemos num menino.
- Um dia, vais jogar no Benfica.
- Não quero vô... serei sempre do Benfica mas o Realista é do Porto. Não posso jogar contra o Realista.
- Das duas uma: ou o Realista vai jogar para o Benfica ou vais ser melhor que ele!
O Realista ( e para o menino, o melhor ainda hoje ) nunca jogou no Benfica.
O menino, que hoje é um pouco mais realista, nunca foi melhor que o grande Carlos Realista. Mas gostava de ter tido o velhote na bancada, quando jogava pelo Benfica. Mas se tivesse o velhote na bancada, não olharia para o tecto da pavilhão sempre que marcava. Olhava para a bancada, via o velhote e pronto. Olhava para ele. O Sr. Vovô que era mais realista e não gostava do Realista ( por ser do Porto ), nunca viu o menino com aquela camisola vermelha a marcar um golo e a olhar absorto para o tecto do pavilhão...
( Porque não olhar para as traves que sustentam um tecto, se ao menino recordavam apenas a trave que foi o seu tecto... )
- Vô... o carro não tem travão!
- São patins, menino...
Talvez tenha começado aí a viragem. Ou a viagem. Ou a vertigem. A parede começou a ser amiga e conselheira. Como não haveria de ser, se o menino já lhe tinha tocado, esbarrado, empurrado, rasgado... até amante seria, decerto. Se não falássemos num menino.
- Um dia, vais jogar no Benfica.
- Não quero vô... serei sempre do Benfica mas o Realista é do Porto. Não posso jogar contra o Realista.
- Das duas uma: ou o Realista vai jogar para o Benfica ou vais ser melhor que ele!
O Realista ( e para o menino, o melhor ainda hoje ) nunca jogou no Benfica.
O menino, que hoje é um pouco mais realista, nunca foi melhor que o grande Carlos Realista. Mas gostava de ter tido o velhote na bancada, quando jogava pelo Benfica. Mas se tivesse o velhote na bancada, não olharia para o tecto da pavilhão sempre que marcava. Olhava para a bancada, via o velhote e pronto. Olhava para ele. O Sr. Vovô que era mais realista e não gostava do Realista ( por ser do Porto ), nunca viu o menino com aquela camisola vermelha a marcar um golo e a olhar absorto para o tecto do pavilhão...
( Porque não olhar para as traves que sustentam um tecto, se ao menino recordavam apenas a trave que foi o seu tecto... )
Saturday, 14 November 2009
Ele ainda recorda o tempo das lágrimas. E com o tempo que lhe resta recorda em lágrimas. Em tempos existiram olhares que fulminavam, mãos que acenavam, unhas que cravavam. Lágrimas criadas por sorrisos tontos e logo secadas com um sorriso alheio mas tão - tão!! - cúmplice. É tudo o que resta, recordar. Porque amanhã não haverão palavras - estão inquinadas -, não haverão sorrisos - pereceram -, sobretudo não haverão lágrimas - secaram -, e nada ficará por recordar... ele sabe que pode bem sem recordações. Já esqueceu muitas... ele não recorda recordações. Acorda emoções.
- Já não quero o ursinho que se ri quando o aperto. Prefiro um balão. Quero um balão!
- Um balão?.. E não queres o ursinho?
- Não. Quero um balão. Daqueles que voam porque estão ligados á máquina que os faz voar.
- Está bem. Compramos o balão e fica o ursinho para a próxima feira.
- Então filho?? Deixaste fugir o balão!!
- Pois deixei. Vai dizer olá ao avô.
O céu já não é o mesmo. Talvez as estrelas ainda sejam as mesmas. Mas não o céu. Nem as estrelas. Se não as vejo, não podem ser as mesmas. E não acredito que escondidas num céu sujo vadiem as minhas estrelas. Ou o meu balão.
- Se acreditares muito e bateres palmas as fadas não morrem, sabias?
Nunca deixei morrer uma fada... cansei as mãos em ritmos eloquentes até as deixar a arder. Vermelhas. Como o meu balão. E sei que é uma fada que o tem na mão e que o guarda, carinhosamente, numa redoma especial. Um dia terei a minha nave espacial e voarei vertiginosamente numa louca combustão. Baterei palmas ao destino, e a fada renascida será o menino que um dia perdeu o balão.
- Já não quero o ursinho que se ri quando o aperto. Prefiro um balão. Quero um balão!
- Um balão?.. E não queres o ursinho?
- Não. Quero um balão. Daqueles que voam porque estão ligados á máquina que os faz voar.
- Está bem. Compramos o balão e fica o ursinho para a próxima feira.
- Então filho?? Deixaste fugir o balão!!
- Pois deixei. Vai dizer olá ao avô.
O céu já não é o mesmo. Talvez as estrelas ainda sejam as mesmas. Mas não o céu. Nem as estrelas. Se não as vejo, não podem ser as mesmas. E não acredito que escondidas num céu sujo vadiem as minhas estrelas. Ou o meu balão.
- Se acreditares muito e bateres palmas as fadas não morrem, sabias?
Nunca deixei morrer uma fada... cansei as mãos em ritmos eloquentes até as deixar a arder. Vermelhas. Como o meu balão. E sei que é uma fada que o tem na mão e que o guarda, carinhosamente, numa redoma especial. Um dia terei a minha nave espacial e voarei vertiginosamente numa louca combustão. Baterei palmas ao destino, e a fada renascida será o menino que um dia perdeu o balão.
Wednesday, 7 October 2009
Fallen Angel
Há que vasculhar na terra.
( Tão porco que fui. Quantas unhas deixei na lama de tanto a terra vasculhar. Talvez ali, pensando aqui, mas noutro lugar )
Para ascender aos céus
(« Ó Ícaro esboçado!, quem soubesse
em vez deste saber de coisas vagas,
com que cera devera unir-te as asas
- para que Sol nenhum as desfizesse! » )
Nem asa de cera, nem céus por descobrir. Só o calor intenso, porque imenso, talvez incenso a queimar. Falsa valsa na melodia errada. Para o céu não existe estrada nem estrela para me guiar. Mago ou não. Não, mago! Deixa somente a mirra que a minha palavra está perdida, aniquilada, e para o céu não existe estrada. Deixa a mirra, mago. Mágoa ( perdão.. mago...) deixa a mirra. Podemos esquecer os céus por um instante? Tu mágoa, não és gigante. Perdão... mago. Com essa pose tão altiva, não gasto mais saliva. Vai de escarro: Caga na mirra. Enrola um charro! ( Vá, mágoa.. ou mago... ou gajo com turbante.. esquece o céu por um instante..)
O Balanço. A Balança. A balança move-se com um balanço ou precisa de um empurrão?
... caso para investigação. Mas agora não. ( Merda... acho que fumei mirra...)
...
( Irra... acho que fumei merda...)
( Cala-te mago...)
( Que pedra...)
O gajo com turbante é um gajo gajo gajo gajo gajo fixe. Diz-me a tudo « que se lixe ».Eu peço-lhe o turbante emprestado e além do gel que lhe deixo de bom grado, deixo-lhe a impressão que não só sou fixe como estou com a pica toda. Só não digo que se lixe. Digo « que se foda ».E ele ri, o cab... sacana. Mas a mim não me engana. Polido ou não, eu queria escrever cabrão. Sacana do teclado...
( - Já chegámos á Internet?
- Um pouco mais de paciência. E polidez. Faltam duas estações: Outono e Inverno. Lá para a Primavera, talvez. Malditos atrasos.
- Eu queria tanto estar já na Internet. Estou tão apressadinha que nem vi Caminha nem Arcos de Valdevez! Vê??
- Foda-se!! Eu já lá estive mas não fui de TGV...)
E não, nunca andei de TGV. A conversa aconteceu num taxi...
( Cala-te mago )
Mago, olha esta: .... ..... ....
.... .....
( Eu sei.. calma, mago..)
.... ....
( Ok, tens razão. Não sei falar de orquideas. Não distingo uma orquidea de uma erecção. - Porque ambas podem ser selvagens, estúpido!!! )
( Ok, tens razão. Murcham..)
Aprecio quando falam de flores. E de arco-iris. E de nuvens. E de coisas fofinhas. E de caricias. E de olhinhos lindos. E de pipis e pilinhas. E outras coisinhas. Lindas. E inhas.
( Mago, eu escrevo inhas porque é uma palavra! Dá-me lá razão e segue para linha. Foda-se. Esta inha foi despropositada. Que da inha que é linha se faça uma estrada. )
( Limpando o nariz. Tenho bocadinhos de estrada na entrada )
Depois temos ( toma lá atenção, mago ) os tempos medievais. De castelos e bobos e outras coisas mais. De bobós ás claras, em claras em castelo, que as Claras no castelo fazem bobós bobos, limpam lábios carnudos ( e não havia botox ), ao primeiro pano que aparece. Desce o pano perante tamanha desfaçatez: Querem lá ver que a dama faz bobó ao bobo outra vez??
( Espeta-me na veia, que eu estou com veia. Aveia é para ti, ó asno! Avia na veia! )
Heroinas todas aquelas que... ( foda-se... comecei mal porquê? ... Mas porque tem que ser poético? Não me digas que na tal Internet já todos são poetas... Ok.. não batas mais. Ou bate. Claras. Em Castelo. Deixa-me lá ver o que para aqui esgalho. Sim, esgalho. Ora... vai para o ... o... ... - larga.me o pulso filho da... da... da...... )
Só para que conste: o mago é filho da puta.
( Tão porco que fui. Quantas unhas deixei na lama de tanto a terra vasculhar. Talvez ali, pensando aqui, mas noutro lugar )
Para ascender aos céus
(« Ó Ícaro esboçado!, quem soubesse
em vez deste saber de coisas vagas,
com que cera devera unir-te as asas
- para que Sol nenhum as desfizesse! » )
Nem asa de cera, nem céus por descobrir. Só o calor intenso, porque imenso, talvez incenso a queimar. Falsa valsa na melodia errada. Para o céu não existe estrada nem estrela para me guiar. Mago ou não. Não, mago! Deixa somente a mirra que a minha palavra está perdida, aniquilada, e para o céu não existe estrada. Deixa a mirra, mago. Mágoa ( perdão.. mago...) deixa a mirra. Podemos esquecer os céus por um instante? Tu mágoa, não és gigante. Perdão... mago. Com essa pose tão altiva, não gasto mais saliva. Vai de escarro: Caga na mirra. Enrola um charro! ( Vá, mágoa.. ou mago... ou gajo com turbante.. esquece o céu por um instante..)
O Balanço. A Balança. A balança move-se com um balanço ou precisa de um empurrão?
... caso para investigação. Mas agora não. ( Merda... acho que fumei mirra...)
...
( Irra... acho que fumei merda...)
( Cala-te mago...)
( Que pedra...)
O gajo com turbante é um gajo gajo gajo gajo gajo fixe. Diz-me a tudo « que se lixe ».Eu peço-lhe o turbante emprestado e além do gel que lhe deixo de bom grado, deixo-lhe a impressão que não só sou fixe como estou com a pica toda. Só não digo que se lixe. Digo « que se foda ».E ele ri, o cab... sacana. Mas a mim não me engana. Polido ou não, eu queria escrever cabrão. Sacana do teclado...
( - Já chegámos á Internet?
- Um pouco mais de paciência. E polidez. Faltam duas estações: Outono e Inverno. Lá para a Primavera, talvez. Malditos atrasos.
- Eu queria tanto estar já na Internet. Estou tão apressadinha que nem vi Caminha nem Arcos de Valdevez! Vê??
- Foda-se!! Eu já lá estive mas não fui de TGV...)
E não, nunca andei de TGV. A conversa aconteceu num taxi...
( Cala-te mago )
Mago, olha esta: .... ..... ....
.... .....
( Eu sei.. calma, mago..)
.... ....
( Ok, tens razão. Não sei falar de orquideas. Não distingo uma orquidea de uma erecção. - Porque ambas podem ser selvagens, estúpido!!! )
( Ok, tens razão. Murcham..)
Aprecio quando falam de flores. E de arco-iris. E de nuvens. E de coisas fofinhas. E de caricias. E de olhinhos lindos. E de pipis e pilinhas. E outras coisinhas. Lindas. E inhas.
( Mago, eu escrevo inhas porque é uma palavra! Dá-me lá razão e segue para linha. Foda-se. Esta inha foi despropositada. Que da inha que é linha se faça uma estrada. )
( Limpando o nariz. Tenho bocadinhos de estrada na entrada )
Depois temos ( toma lá atenção, mago ) os tempos medievais. De castelos e bobos e outras coisas mais. De bobós ás claras, em claras em castelo, que as Claras no castelo fazem bobós bobos, limpam lábios carnudos ( e não havia botox ), ao primeiro pano que aparece. Desce o pano perante tamanha desfaçatez: Querem lá ver que a dama faz bobó ao bobo outra vez??
( Espeta-me na veia, que eu estou com veia. Aveia é para ti, ó asno! Avia na veia! )
Heroinas todas aquelas que... ( foda-se... comecei mal porquê? ... Mas porque tem que ser poético? Não me digas que na tal Internet já todos são poetas... Ok.. não batas mais. Ou bate. Claras. Em Castelo. Deixa-me lá ver o que para aqui esgalho. Sim, esgalho. Ora... vai para o ... o... ... - larga.me o pulso filho da... da... da...... )
Só para que conste: o mago é filho da puta.
Thursday, 29 November 2007
Recado
Agora preciso de ti. Não... preciso que te recordes... sim, preciso de ti. Mais que nunca tenho a estúpida necessidade das tuas ingratas memórias. É-me urgente que te lembres quando eras terra, ar, água e fogo. Mais que nunca tenho a estúpida necessidade que te lembres... mais que quatro elementos, éramos um mundo por explorar. Lembras-te?
FOGO
Eras assim. Eras ave em chamas. E teimavas em ser ave para alcançar um anjo. Talvez o etéreo te concedesse esse dom... atingir o inatingivel, sobrevoar a Terra do Nunca sem chamuscares as tuas penas alvas. Será possivel queimar o fogo? Será possivel atear uma chama no mais louco - e bailarino - incêndio? Maldita... que morras em combustão! Ah.. mas ainda não.
AR
Era assim.. por momentos Siroco que te arrepiava. Lembrava-te talvez o deserto e terras distantes. Era brisa suave ou rajadas pujantes, era o sopro de um deus ausente que te impelia a avançar... Mas tu estática sorrias... e lançavas uma fita que se elevava no ar. Fosse eu humano e talvez corresse para a apanhar. Mas, minha querida, sou apenas um elemento. Mais um mendigo que te estende a mão. E por isso te sopro, suavemente ao ouvido: Não, não... ainda não.
ÁGUA
Eras assim... quanto mais revolta mais calma me transmitias. Elevavas-te e eu sorria. Enlevavas-me e ninguém diria que tais águas num crescendo, perante o nosso lamento, de manifesta inundação... apenas eram um prenúncio, apenas nos sussurravam: Não.. ainda não.
TERRA
É altura de a ela descermos. Não como aventureiros intrépidos, mas como resignados vagabundos. Desde os confins dos mundos que tu, ave, teimas em me assombrar. E do não e não, talvez ainda não, direi sim... também eu sou alado e finalmente viste a batalha que jamais conseguirás vencer. Não é nos céus, é na Terra, que acabarás por perecer!
Eis o testemunho de um vagabundo resignado. Com o facto de, como tu, ser alado. É esta a minha ameaça, é este o meu recado.
FOGO
Eras assim. Eras ave em chamas. E teimavas em ser ave para alcançar um anjo. Talvez o etéreo te concedesse esse dom... atingir o inatingivel, sobrevoar a Terra do Nunca sem chamuscares as tuas penas alvas. Será possivel queimar o fogo? Será possivel atear uma chama no mais louco - e bailarino - incêndio? Maldita... que morras em combustão! Ah.. mas ainda não.
AR
Era assim.. por momentos Siroco que te arrepiava. Lembrava-te talvez o deserto e terras distantes. Era brisa suave ou rajadas pujantes, era o sopro de um deus ausente que te impelia a avançar... Mas tu estática sorrias... e lançavas uma fita que se elevava no ar. Fosse eu humano e talvez corresse para a apanhar. Mas, minha querida, sou apenas um elemento. Mais um mendigo que te estende a mão. E por isso te sopro, suavemente ao ouvido: Não, não... ainda não.
ÁGUA
Eras assim... quanto mais revolta mais calma me transmitias. Elevavas-te e eu sorria. Enlevavas-me e ninguém diria que tais águas num crescendo, perante o nosso lamento, de manifesta inundação... apenas eram um prenúncio, apenas nos sussurravam: Não.. ainda não.
TERRA
É altura de a ela descermos. Não como aventureiros intrépidos, mas como resignados vagabundos. Desde os confins dos mundos que tu, ave, teimas em me assombrar. E do não e não, talvez ainda não, direi sim... também eu sou alado e finalmente viste a batalha que jamais conseguirás vencer. Não é nos céus, é na Terra, que acabarás por perecer!
Eis o testemunho de um vagabundo resignado. Com o facto de, como tu, ser alado. É esta a minha ameaça, é este o meu recado.
Friday, 23 November 2007
Alma gémea
Naquela noite fúnebre, naquela noite tão feliz, revelei-te e revelei o mundo que estava assim inerte, que estava assim proscrito, para toda a eternidade. Foi assim que te confessei que serias para todo o sempre minha se fosses aquela outra metade...
Mas como podes ser a metade do que eu sofro?... Mas poderás ser a metade da minha ilusão?
Eu contigo não me iludo e nunca ( mas nunca ) serás metade da minha alma.
E pedes-me calma..
E sorris, agora...
Por ora é hora de partir, enquanto podes sorrir.
Para um dia voltar com as tuas lágrimas de dor
Sentidas, no mais estúpido amor, que não poderás devassar.
Estranha metade a que te promete a minha presença para a preencher....
Chega de poesia. Abomino-a, sabias? Abomino a palavra « amor ». Aqui me tens como o anjo insurrecto, aqui me tens como o homem que te encosta brutalmente contra a parede - fria - que te esmaga avidamente numa qualquer cama - vazia - que faz dos teus poros o seu solo e o seu querer. Que mais ter? Em quem mais crer? Nada será tão ávido e sempre estaremos cálidos enquanto eu te pertencer...
Ah... nunca serás a minha metade...
Mas só contigo concebo viver, minha dor. E sem falar de amor digo que é para toda a eternidade.
Mas como podes ser a metade do que eu sofro?... Mas poderás ser a metade da minha ilusão?
Eu contigo não me iludo e nunca ( mas nunca ) serás metade da minha alma.
E pedes-me calma..
E sorris, agora...
Por ora é hora de partir, enquanto podes sorrir.
Para um dia voltar com as tuas lágrimas de dor
Sentidas, no mais estúpido amor, que não poderás devassar.
Estranha metade a que te promete a minha presença para a preencher....
Chega de poesia. Abomino-a, sabias? Abomino a palavra « amor ». Aqui me tens como o anjo insurrecto, aqui me tens como o homem que te encosta brutalmente contra a parede - fria - que te esmaga avidamente numa qualquer cama - vazia - que faz dos teus poros o seu solo e o seu querer. Que mais ter? Em quem mais crer? Nada será tão ávido e sempre estaremos cálidos enquanto eu te pertencer...
Ah... nunca serás a minha metade...
Mas só contigo concebo viver, minha dor. E sem falar de amor digo que é para toda a eternidade.
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