Sunday, 14 February 2010

Mudança(s)

Vamos lendo-nos por aí...



Mudança(s) ... saudáveis. ;-)

Ch-ch-ch-ch-Changes(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes Oh, look out you rock 'n rollers
Ch-ch-ch-ch-Changes(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Pretty soon you're gonna get a little older
Time may change me
But I can't trace time
I said that time may change me
But I can't trace time

Sunday, 24 January 2010

Rach 9 ( Rachmaninov nr. 3 )

Suaves agitam-se os dedos como se amassem as teclas. Suaves as mentes dos obscuros humanos que a possam contemplar... Pronunciem-se os pianistas: alguém a ousa tocar?

Aos deuses, o que a eles pertence.

Sunday, 17 January 2010

Albrecht e Giselle

Falemos deles... ou da força do amor. Ou de um amor á forca condenado. Ou de vontades. Da tua, Giselle. Cobri-me de farrapos para não te escandalizar. Duque ou não, com ou sem brasão, tudo me impelia a aparecer-te nú. A transpirar. Febril de desejo. Apareci-te como aldeão... para entrar no teu mundo e assim em ti. E de ti um sim, um abraço possante, a vontade de uma amante, o enlevo que me levitou até ao sono que - louca, o que fizeste?? - te consumiu. Não me toquem agora... resta-me adormecer. Adormecer, adormecer... levitar, levitar... impelido pela esperança que a tua vingança seja servida para me atormentar. Até á eternidade, camponesa. Dá-me essa certeza. Que toda a minha vida será uma tortura infinita de contemplar o teu rosto e, se tentar acariciá-lo, vê-lo desvanecer! Como fumo ou ilusão. Agridoce tortura essa. Sempiternamente sentir em mim o teu olhar. Mesmo que não seja real e que realmente seja para me amaldiçoar.

E a bailarina, crê no amor e rodopia frenética. Toca o soalho com as coxas e atira a cabeça para trás. Assim. Num segundo. Num esgar. É o seu mundo e de mim um sim. Aplaudo. Vamos continuar.

Myrtha, rainha. Louca e enfurecida, ceifas assim a vida, num único estertor. Benévola Myrtha, não senti dor. Estranha eutanásia que me foi oferecida. A alma já não a tinha, a vida era uma adiada despedida e cada segundo era um compromisso teu. Recordo o céu e as paisagens - só vejo imagens, imagens, imagens - de uma outra vida em que era duque. E não era eu. Vou contigo rainha. E toma-me nos teus braços como o filho nunca amado. Alimenta-me, amamenta-me e condena-me. Mas tem piedade: que seja já... o nó. não se desfaz. Nós... ainda penso... Sinto nós. E nós nada somos para ti. O que fazes aqui Giselle? Afasta-te... Myrtha ordenou... Não, não posso. Caí - anjo caído- deixa-me moribundo. Neste mundo já não estou ferido. Não! Recolhe a mão... porque não a quero... já não sinto dor. O que fazes? Porque danças agora? Porque? Estou caído.. caído... Traído... Porque danças? Ninguém dança por amor...

Sunday, 3 January 2010

E 2010?

E 2010? Manda a matemática que é posterior a 2009. Antecede 2011. Para 2010 eu... sei lá eu o que vou fazer em 2010!!! Está tudo louco? Para já vou tentar viver 31 dias em Janeiro. Depois, talvez pense em Fevereiro. Quanto ao balanço de 2009: balançou bem. Vivi os 31 dias de Janeiro. E depois pensei em Fevereiro. Querem mesmo algo de útil sobre o que fazer em 2010? Sopa de tomate. Eu ajudo.. cá vai...



( Achavam mesmo que eu sabia fazer sopa de tomate?? )

Vivam lá a vidinha, dia após dia.. porque por muito que balancem, 2010 será sempre um número. E não transformem a vossa vida num número... mas aprendam a fazer sopa de tomate. :-)

Wednesday, 30 December 2009

Para que não me voltem a questionar: « O que sabes tu de poesia? » A resposta é: nada. Vivo-a. :-)

Numa certa noite em que já dormias serena
e bátegas de chuva teimavam em não te despertar
vê lá tu - que triste cena -com um olho entreaberto e outro quase a fechar
encostei-me á tua pele tão morena
e logo ali soube que valeu bem a pena o raio do temporal não te acordar.
Mas o que acorda - dirão vocês - é o trovão!
Mas o raio aqui era o raio que a partia
aquele que não faz clarão que não ata nem desata
que me provoca uma enorme tesão
e tendo que me conter, então contarei raios noutro dia
e os segundos até ao trovão. Não ata nem desata!
Faz contas á tempestade: Está longe? - talvez seja verdade -Ora que raio de malapata!
Viro-me nessa cama teimosa porque nem ela colabora... triste de mim...
quando enfim eu esfusiante pensava « já lá mora! »
quando enfim tive uma erecção, primeiro milagre, atenção!!
nem a tempestade a acordou, o raio que a iria partir murchou ...
E eu chorei até nascer o dia porque querendo apenas uma simples queca..
raios e trovões! - fiz poesia!!Para compensar a perca... Ou escreve-se perda?
E nada rima agora com perda.. Oh merda...

Para quem me pede poesia, aqui está... pois é... não tenho mesmo jeitinho nenhum para essa coisa. Perdeu-se um poeta mas ganhou-se algo que faz falta neste país: um ordinário. E venha agora a nós um pouco da legitima poesia: « Cá para mim, devo ter os gostos trocados! Detesto os bonzinhos. Adoro os malvados!! » J.C. Ary dos Santos

Poesia... talvez seja o derradeiro apelo de uma alma muda, mas que tanto tem para dizer. Que tanto tem para gritar. Talvez seja o derradeiro múrmurio de um telepata inconsciente. Certamente será mendicidade. Quem sofre escreve e oferece a sua alma ao mundo. Ao seu mundo. Aos seus mundos. E mendiga o sofrimento. É o seu alimento. É o seu Universo, assim exposto. Num verso. Numa linha torta. Numa palavra arrancada. Numa ferida aberta. Numa cicatriz consentida. Quantos versos, quantas palavras, quanta poesia numa vida... « Homem, olha as coisas com humildade! Até o barro tem poesia! » Fernando Namora

O Eugénio, Sr. Eugénio, num último escarro para a existência e sobretudo para os desistentes... e sobre tudo cuspiu nos existentes que hoje clamam para si com exigência exagerada - e descarada - a nobreza de ser poeta: «Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos. » Eugénio de Andrade

Eles cairam... e não deixaram frutos. Mas num pomar, com as frutas pelo chão, caídas ainda intactas... qualquer garoto corre para as apanhar. Depois atira-as. Joga futebol com elas. Atira-as a qualquer animal. Joga até se cansar. Nem repara que a fruta estava ainda intacta... deixa-a putrefacta, num qualquer terreno baldio. No focinho de animais. Espreme-a depois, para tirar das mãos o cheiro de uma esporra precoce, numa masturbação imberbe. E chega a casa a cheirar a fruta. Mas nauseabundo. « Quero ver-te nua, a rolar pelo chão. Sem palavras, sem temores. O teu corpo e o meu. Quero levar em mim o teu cheiro animal, eternamente gravado num sorriso fácil de adivinhar. E ninguém questionará ao ver o meu sorriso o estranho cheiro que exala. É cheiro a amor e a foda. E eles conheceram-no a vida toda. E sorrirão comigo. E inconscientemente contigo.. porque eu sorri e cheiro a amor. Sem pudor! » Nuno Ferreira

Sunday, 27 December 2009

A batalha final. Ou finalmente um novo ano. Ou um bom ano para todos vós.

Armadura. Prateada, resplandecente. Ainda invicta. E será sempre. Dourada nos ombros, ofusca e cega. Atemoriza. Excita. Quando bato no peito gosto de ouvir aquele som... o bater com o punho, sinal de honra. O bater com a mão aberta, sinal de desespero. Espero sempre pelo ressoar metálico que me incentiva. Ou que me acalma. Eu visto-a e chamo-lhe minha. Ela protege-me e dá-me segurança. Confio nela. Ela sofre os golpes que me são destinados. Ela nunca me trairá. Amo-a.

Elmo. Negro. Estranho contraste... Esmaga-me o crânio, está bem apertado junto á face. Esmaga-me para dizer que é meu. Escuro como breu. Mais que me proteger, é uma máscara. Esconde emoções. As ternas, plenas de lágrimas. As violentas, carregadas de furor. As indefinidas num furor de lágrimas. Ele protege o meu rosto absorve para ele a solidão que me é destinada. Deste nada que me transforma transporta ele a ilusão. Carrega ele, negro e escuro como breu, com placidez e numa estranha calma a minha alma. Negra e escura como breu. Mas isso só ele sabe. E eu. Ele nunca me abandonará. Amo-o.

Espada. Dizem que foi empunhada em tempos ancestrais. Dizem que foi erguida, nas longas batalhas pela Vida, perdida para os mortais.Dizem que só eu a posso carregar. Dizem que queima a mão, num fogo lento e de chamas vermelhas, a quem mais lhe ouse tocar. Tem runas na lâmina, resplandecente. Ainda invicta e será sempre. Deste nada em que a transformo é ela a minha ilusão. Não lhe toquem... é a morte vermelha que passa. Trespassa. Fere. Alimenta-se de sangue. Tem o dom de cessar as lágrimas em rostos lividos de furor. É minha porque me pertence e a mim quer pertencer. Amo-a.

Vesti-me assim. De amor. Hoje levo para o derradeiro campo de honra tudo o que me amou nesta vida, tudo o que me protegeu. As minhas defesas e eu. Nada mais. Porque vamos combater precisamente o Amor. Essa crosta que tenho urgentemente que arrancar. Para poder ser eu novamente.. e novamente voltar a voar. Sem saber onde ir. E novamente voltar a sorrir sem saber onde ficar... caminhar. Habitar. O amor vencerá o AMOR. Armadura, elmo e espada os que me amaram e mostraram o que quero ser. Combater para partir. Partir para viver. Um bom ano para todos.

Nuno.

Friday, 25 December 2009

A inclusione unius ad exclusionem alterius

Oiço rumores lá fora... parece que todos estão felizes. Hoje. Agora. Nesta hora oiço vagos rumores de felicidade. Em cada esquina oiço um sorriso. Oiço em cada escadaria de um qualquer prédio antigo, o conforto. Oiço o calor que hoje- e só hoje- aquece os mil e um corações solitários que ontem - ainda ontem- vos enchiam de náusea. Ou pior: de pena. Estranha comiseração... Eu que não tenho coração, nada vejo. Ou talvez feche os olhos. Mas gostava de ter um coração uma época por ano. Dar uma moeda e - pasmem-se - sorrir, a quem me estende a mão... A proxima época é o Carnaval. O mendigo está mascarado de pobre, o pobre de mendigo, e a moeda continuará na vossa mão. Ah, como os oiço implorar meio quilo de ilusão...

( Fallen, tens as luzes! Repara nas luzinhas a brilhar! Uma vez por ano, colocam as luzes!! E tens pais natais nos centros comerciais, Fallen!! E Fallen, o homem chegou á Lua... E Caído, já permitem casamentos gay! E, estúpido, vamos ter TGV. E sobretudo, Anjinho imberbe, as luzinhas, porra! Por essa baixa fora, por essa avenida acima... acima. Até iluminam aquele gajo que está ali ao frio... podia escolher um cobertor melhor.. aquele não condiz com a nossa felicidade. É uma manta retalhada de sonhos que devolve a verdade. Faz como eu e desvia o olhar. Que nada estrague a noite em que o menino nasceu. Reza a lenda que pobre, numa manjedoura, como o mendigo agora... ou eu. Mas há que dar ilusão nesta merda tão desfasada... e gostava de ser o mendigo outra vez... Agora muito a serio... o homem chegou á Lua?? Fico feliz... )

Há coisas que estão para além das palavras. Para além da compreensão. Para além do perdão... Como responder que não sabemos? Que nunca vimos? Quem nem imaginámos? As pessoas integras não concebem tais atrocidades... mas aplaudem o homem na lua. As luzes de Natal...

A poeira impede que me vejam bem mas estou aqui. Os vossos gritos não me permitem perceber, mas estou aqui. Porque a história da Humanidade foi escrita não com luzes, mas com lágrimas... estou aqui. Porque até os mais reles ainda choram, ainda sentem, estou aqui. Estou aqui!!!

Estou aqui para vocês. Sim, para vocês. Vocês são os heróis. Avançam para o negrume sem garantias de voltar a sair e sabem que há gente á espera na escuridão. À espera de salvação.. à espera de uma palavra... Homens comuns, mulheres comuns, tornados extraordinários por actos de compaixão. Uma só vez por ano. Uma só vez. ..Homens comuns, mulheres comuns, que se recusam a desistir...Não há palavras.. não pode haver palavras... apenas a raiva misturada com raiva, suficiente para obscurecer o sol. E o ar que respiramos carregado de perguntas... O mesmo ar que partilhamos um só dia NO ANO. Que é hoje.

Eu já vi outros mundos, outros locais... caminhei ao lado de deuses e chorei com anjos. Caminhei e chorei. E vi o vosso mundo e outros locais.

O que dizemos ás nossas crianças? Que o Pai Natal existe ou que vocês existem? Talvez digamos sinplesmente que as amamos e que as havemos de proteger, que daríamos a nossa vida por elas. Num universo de playstations talvez seja um presente sem substância, mas é o único que poderá secar as minhas lágrimas, sarar as minhas feridas.. por vocês existirem.

Hoje é Natal, parece... vão ter um dia em cheio! Fico feliz... hoje afasto-me...

Mas contem comigo nos próximos 364 dias.

Monday, 16 November 2009

A quem chegar

Bem vinda. Esta mão que te aperta é suave como vês. Mas ainda vigorosa. O dedo que vai acariciando a palma da tua mão pertenceu a artistas, a guerreiros, a fadistas e poetas, pertenceu ao vento e á água cálida de um lago ao luar. O braço que se estende, apontando-te a porta, é esguio. Magro e cicatrizado. Marcado. Cada veia saliente diz-te apenas o que não queres ouvir... já não há sangue quente que as possa percorrer. Frio. Gélido. Capaz de congelar as águas cálidas de um lago ao luar. Os olhos... os olhos que te olham não são meus. São tristes e sem expressão. Gastos, gastos. Em rasgos de visões violentas e promessas incumpridas do que assistiram sem viver. Como rapaz do tambor que fui, impedido de combater. São a ideia concreta de que lá longe existe uma aldeia com um lago com águas cálidas. Lidas as mágoas, não lides com elas. Desvia o olhar, estrangeira, que o meu pode queimar. Embora triste e sem expressão. É fogo-fátuo e ilusão.. não te enganes.. são apenas sonhos que vislumbras. Mas não me olhes nos olhos. Olha-me a face... falta um sorriso, bem sei. Pensei que sabias a minha história. Sabes... são apenas rumores. As pessoas que te digam que um dia eu sorri, enganaram-te. Olha para os meus lábios, agora... não são lábios de alguém feliz, pois não? Como esperas ver esta curva efémera formar-se e desaparecer? Ainda assim, toca-lhes. Estão frios. Gélidos. Não, estrangeira. Nunca os verás rasgar-se, num lento movimento, e formarem - por um momento - um esboço de sorriso.Preciso deles, agora. Retira o teu dedo. Deixa-me falar estrangeira.

És bem vinda, se quiseres entrar nesta porta. Mas há algo que para mim não importa, mas que te vejo a pensar, talvez confusa e assustada. E sabes?... Tens razão. Já não tenho coração. Ficou algures na lua cheia, ou no cheiro a terra molhada daquela aldeia, ficou no lago de águas cálidas, ficou no velho porão, ficou soterrado na terra que mineiro algum escavará, ficou no velho Pomarão.

Se ainda assim queres entrar, és bem vinda estrangeira. Mas se olhares agora para os meus olhos verás que te avisam... « não..».
E no tempo das lágrimas nunca te vi avançar contra a morte. Forte, corajoso e leal. Como foste toda a vida.

- Avô, porque dizes que no xadrez a peça mais importante é a rainha?? Não devia ser o Rei?
- Pergunta á tua avó. Ela não sabe jogar mas responde-te.

Nunca lhe perguntei.. ainda hoje há tantas perguntas por fazer. Tantas respostas irónicas por ouvir... vê se te lembras velhote: estavas no hospital. Não me queriam deixar entrar. Tu ameaçaste tirar todos aqueles tubos, fios e coisas esquisitas, se não deixasssem entrar o menino...
Depois mandaste-me aproximar... e com o teu derradeiro esforço ainda conseguiste sorrir... e perguntar:
- Quais são os jogos do fim de semana?
- Vô, o Benfica vai jogar a Faro, o Sporting recebe a Académica e o Porto recebe o Estoril.
- Só o Benfica é que joga fora? Sacanas... arranjam sempre maneira de jogar em casa para lixar o Benfica...

Depois piscaste-me o olho. Como sempre fazias quando acabavas de ser « sacaninha ».

Depois fechaste os dois olhos, e aí sim... foste sacaninha. Forte, corajoso e leal... mas sacaninha.

No tempo das lágrimas fica apenas o nó, apertado, o nó gasto. E ficas tu. Que avançaste para a morte forte. Corajoso e leal. Como foste toda a vida.

Até já...

Sunday, 15 November 2009

Ainda no tempo das lágrimas, o menino era feliz. Nunca pensou que um carrinho de rolamentos em miniatura ( sem a caixa de madeira gamada na mercearia da Gertrudes ), atingisse tal velocidade. Realmente.. um sapato tosco, quatro rodinhas... e voava!! O pior era quando o Sr. Vovô lhe largava a mão... ainda voava sim, mas contra a parede!

- Vô... o carro não tem travão!
- São patins, menino...

Talvez tenha começado aí a viragem. Ou a viagem. Ou a vertigem. A parede começou a ser amiga e conselheira. Como não haveria de ser, se o menino já lhe tinha tocado, esbarrado, empurrado, rasgado... até amante seria, decerto. Se não falássemos num menino.

- Um dia, vais jogar no Benfica.
- Não quero vô... serei sempre do Benfica mas o Realista é do Porto. Não posso jogar contra o Realista.
- Das duas uma: ou o Realista vai jogar para o Benfica ou vais ser melhor que ele!

O Realista ( e para o menino, o melhor ainda hoje ) nunca jogou no Benfica.
O menino, que hoje é um pouco mais realista, nunca foi melhor que o grande Carlos Realista. Mas gostava de ter tido o velhote na bancada, quando jogava pelo Benfica. Mas se tivesse o velhote na bancada, não olharia para o tecto da pavilhão sempre que marcava. Olhava para a bancada, via o velhote e pronto. Olhava para ele. O Sr. Vovô que era mais realista e não gostava do Realista ( por ser do Porto ), nunca viu o menino com aquela camisola vermelha a marcar um golo e a olhar absorto para o tecto do pavilhão...

( Porque não olhar para as traves que sustentam um tecto, se ao menino recordavam apenas a trave que foi o seu tecto... )

Saturday, 14 November 2009

Ele ainda recorda o tempo das lágrimas. E com o tempo que lhe resta recorda em lágrimas. Em tempos existiram olhares que fulminavam, mãos que acenavam, unhas que cravavam. Lágrimas criadas por sorrisos tontos e logo secadas com um sorriso alheio mas tão - tão!! - cúmplice. É tudo o que resta, recordar. Porque amanhã não haverão palavras - estão inquinadas -, não haverão sorrisos - pereceram -, sobretudo não haverão lágrimas - secaram -, e nada ficará por recordar... ele sabe que pode bem sem recordações. Já esqueceu muitas... ele não recorda recordações. Acorda emoções.

- Já não quero o ursinho que se ri quando o aperto. Prefiro um balão. Quero um balão!
- Um balão?.. E não queres o ursinho?
- Não. Quero um balão. Daqueles que voam porque estão ligados á máquina que os faz voar.
- Está bem. Compramos o balão e fica o ursinho para a próxima feira.

- Então filho?? Deixaste fugir o balão!!
- Pois deixei. Vai dizer olá ao avô.

O céu já não é o mesmo. Talvez as estrelas ainda sejam as mesmas. Mas não o céu. Nem as estrelas. Se não as vejo, não podem ser as mesmas. E não acredito que escondidas num céu sujo vadiem as minhas estrelas. Ou o meu balão.

- Se acreditares muito e bateres palmas as fadas não morrem, sabias?

Nunca deixei morrer uma fada... cansei as mãos em ritmos eloquentes até as deixar a arder. Vermelhas. Como o meu balão. E sei que é uma fada que o tem na mão e que o guarda, carinhosamente, numa redoma especial. Um dia terei a minha nave espacial e voarei vertiginosamente numa louca combustão. Baterei palmas ao destino, e a fada renascida será o menino que um dia perdeu o balão.

Wednesday, 7 October 2009

Fallen Angel

Há que vasculhar na terra.

( Tão porco que fui. Quantas unhas deixei na lama de tanto a terra vasculhar. Talvez ali, pensando aqui, mas noutro lugar )

Para ascender aos céus

(« Ó Ícaro esboçado!, quem soubesse
em vez deste saber de coisas vagas,
com que cera devera unir-te as asas
- para que Sol nenhum as desfizesse! » )

Nem asa de cera, nem céus por descobrir. Só o calor intenso, porque imenso, talvez incenso a queimar. Falsa valsa na melodia errada. Para o céu não existe estrada nem estrela para me guiar. Mago ou não. Não, mago! Deixa somente a mirra que a minha palavra está perdida, aniquilada, e para o céu não existe estrada. Deixa a mirra, mago. Mágoa ( perdão.. mago...) deixa a mirra. Podemos esquecer os céus por um instante? Tu mágoa, não és gigante. Perdão... mago. Com essa pose tão altiva, não gasto mais saliva. Vai de escarro: Caga na mirra. Enrola um charro! ( Vá, mágoa.. ou mago... ou gajo com turbante.. esquece o céu por um instante..)

O Balanço. A Balança. A balança move-se com um balanço ou precisa de um empurrão?

... caso para investigação. Mas agora não. ( Merda... acho que fumei mirra...)

...
( Irra... acho que fumei merda...)


( Cala-te mago...)

( Que pedra...)

O gajo com turbante é um gajo gajo gajo gajo gajo fixe. Diz-me a tudo « que se lixe ».Eu peço-lhe o turbante emprestado e além do gel que lhe deixo de bom grado, deixo-lhe a impressão que não só sou fixe como estou com a pica toda. Só não digo que se lixe. Digo « que se foda ».E ele ri, o cab... sacana. Mas a mim não me engana. Polido ou não, eu queria escrever cabrão. Sacana do teclado...

( - Já chegámos á Internet?
- Um pouco mais de paciência. E polidez. Faltam duas estações: Outono e Inverno. Lá para a Primavera, talvez. Malditos atrasos.
- Eu queria tanto estar já na Internet. Estou tão apressadinha que nem vi Caminha nem Arcos de Valdevez! Vê??
- Foda-se!! Eu já lá estive mas não fui de TGV...)

E não, nunca andei de TGV. A conversa aconteceu num taxi...

( Cala-te mago )

Mago, olha esta: .... ..... ....
.... .....

( Eu sei.. calma, mago..)

.... ....

( Ok, tens razão. Não sei falar de orquideas. Não distingo uma orquidea de uma erecção. - Porque ambas podem ser selvagens, estúpido!!! )

( Ok, tens razão. Murcham..)

Aprecio quando falam de flores. E de arco-iris. E de nuvens. E de coisas fofinhas. E de caricias. E de olhinhos lindos. E de pipis e pilinhas. E outras coisinhas. Lindas. E inhas.

( Mago, eu escrevo inhas porque é uma palavra! Dá-me lá razão e segue para linha. Foda-se. Esta inha foi despropositada. Que da inha que é linha se faça uma estrada. )

( Limpando o nariz. Tenho bocadinhos de estrada na entrada )

Depois temos ( toma lá atenção, mago ) os tempos medievais. De castelos e bobos e outras coisas mais. De bobós ás claras, em claras em castelo, que as Claras no castelo fazem bobós bobos, limpam lábios carnudos ( e não havia botox ), ao primeiro pano que aparece. Desce o pano perante tamanha desfaçatez: Querem lá ver que a dama faz bobó ao bobo outra vez??

( Espeta-me na veia, que eu estou com veia. Aveia é para ti, ó asno! Avia na veia! )

Heroinas todas aquelas que... ( foda-se... comecei mal porquê? ... Mas porque tem que ser poético? Não me digas que na tal Internet já todos são poetas... Ok.. não batas mais. Ou bate. Claras. Em Castelo. Deixa-me lá ver o que para aqui esgalho. Sim, esgalho. Ora... vai para o ... o... ... - larga.me o pulso filho da... da... da...... )

Só para que conste: o mago é filho da puta.

Thursday, 29 November 2007

Recado

Agora preciso de ti. Não... preciso que te recordes... sim, preciso de ti. Mais que nunca tenho a estúpida necessidade das tuas ingratas memórias. É-me urgente que te lembres quando eras terra, ar, água e fogo. Mais que nunca tenho a estúpida necessidade que te lembres... mais que quatro elementos, éramos um mundo por explorar. Lembras-te?

FOGO

Eras assim. Eras ave em chamas. E teimavas em ser ave para alcançar um anjo. Talvez o etéreo te concedesse esse dom... atingir o inatingivel, sobrevoar a Terra do Nunca sem chamuscares as tuas penas alvas. Será possivel queimar o fogo? Será possivel atear uma chama no mais louco - e bailarino - incêndio? Maldita... que morras em combustão! Ah.. mas ainda não.

AR

Era assim.. por momentos Siroco que te arrepiava. Lembrava-te talvez o deserto e terras distantes. Era brisa suave ou rajadas pujantes, era o sopro de um deus ausente que te impelia a avançar... Mas tu estática sorrias... e lançavas uma fita que se elevava no ar. Fosse eu humano e talvez corresse para a apanhar. Mas, minha querida, sou apenas um elemento. Mais um mendigo que te estende a mão. E por isso te sopro, suavemente ao ouvido: Não, não... ainda não.

ÁGUA

Eras assim... quanto mais revolta mais calma me transmitias. Elevavas-te e eu sorria. Enlevavas-me e ninguém diria que tais águas num crescendo, perante o nosso lamento, de manifesta inundação... apenas eram um prenúncio, apenas nos sussurravam: Não.. ainda não.

TERRA

É altura de a ela descermos. Não como aventureiros intrépidos, mas como resignados vagabundos. Desde os confins dos mundos que tu, ave, teimas em me assombrar. E do não e não, talvez ainda não, direi sim... também eu sou alado e finalmente viste a batalha que jamais conseguirás vencer. Não é nos céus, é na Terra, que acabarás por perecer!

Eis o testemunho de um vagabundo resignado. Com o facto de, como tu, ser alado. É esta a minha ameaça, é este o meu recado.

Friday, 23 November 2007

Alma gémea

Naquela noite fúnebre, naquela noite tão feliz, revelei-te e revelei o mundo que estava assim inerte, que estava assim proscrito, para toda a eternidade. Foi assim que te confessei que serias para todo o sempre minha se fosses aquela outra metade...

Mas como podes ser a metade do que eu sofro?... Mas poderás ser a metade da minha ilusão?
Eu contigo não me iludo e nunca ( mas nunca ) serás metade da minha alma.
E pedes-me calma..
E sorris, agora...
Por ora é hora de partir, enquanto podes sorrir.
Para um dia voltar com as tuas lágrimas de dor
Sentidas, no mais estúpido amor, que não poderás devassar.
Estranha metade a que te promete a minha presença para a preencher....

Chega de poesia. Abomino-a, sabias? Abomino a palavra « amor ». Aqui me tens como o anjo insurrecto, aqui me tens como o homem que te encosta brutalmente contra a parede - fria - que te esmaga avidamente numa qualquer cama - vazia - que faz dos teus poros o seu solo e o seu querer. Que mais ter? Em quem mais crer? Nada será tão ávido e sempre estaremos cálidos enquanto eu te pertencer...

Ah... nunca serás a minha metade...

Mas só contigo concebo viver, minha dor. E sem falar de amor digo que é para toda a eternidade.

Wednesday, 31 October 2007

Nasceu uma estrela ( e é a mais linda )

Já estarás agora naquela que será a tua casa rodeada de ternura e de amor. És tão frágil que apetece colocar-te numa redoma e ver-te abrir os olhos plenos de esperança e de sonhos.. mas não o podemos fazer, estrelinha.. como beijariamos nós essa tua face tão pura? Como agarrariamos nesses teus pés irrequietos, com ganas de os morder? Não... serás livre porque pertences a alguém que te protegerá sempre e que daria a vida por ti. E é a liberdade mais pura que alguma vez terás. Nasce do amor incondicional e de lágrimas de comoção minha pequena estrelinha.. tal como outrora nasceram outras estrelas.. queres saber como foi? Eu estava lá... ouve-me então, pequenina. Vou contar-te uma história até adormeceres. Tão serena.. tão calma...

Naquela escuridão primeira do principio dos tempos, os Anjos envolviam a Luz. Ouviam-se os cânticos divinos da criação e cada nota ecoava pelos confins daquilo a que hoje chamam Universo. E o eco trazia uma estranha mistura de cores que explodiam na maravilhosa barreira que era a nossa voz. A cada explosão um brilho invisivel rasgava o espaço.. e lá ficava eternamente a brilhar. A brilhar como os olhos dos teus papás quando te contemplam, minha pequenina... assim nasceram as estrelas. Eu olhei para a minha e disse-lhe muito baixinho: És a estrela mais linda de todas as estrelas.

O teu papá não precisa de olhar para o céu, estrelinha.. olha para ti, com os olhos a brilhar, e diz-te muito baixinho: És a estrela mais linda de todas as estrelas.

( Gostaste, estrelinha? Dorme agora.. tão terna, tão eterna, que confiaremos já no teu brilho. Brilharás sim, pequena Maria do Carmo. Dorme agora, estrelinha.. dorme... )

Wednesday, 24 October 2007

Moinho de vento

Lembras-te do velho moinho?...

Nessa altura também eu era Quixote e via gigantes, também eu olhava o horizonte e via unicórnios a mergulhar num lago incandescente. Olhava o sol de frente e cegava somente com a escuridão... tudo em mim era flamejante.. até o velho moinho que afinal era um gigante. Tu chamavas-me á razão, tocando-me ao de leve no ombro, sorrindo, sorrindo sempre, estavas sempre presente e falavas-me assim baixinho: « É apenas um moinho ».
Mas se também sorri para ti, mas se então dei-te a mão e derrubei aquela porta, derrubando-te num abraço eterno, beijando-te com um olhar terno.. o que importa?

Lembras-te do velho moinho? Não sei quem colocou na terra tamanha ilusão...

Wednesday, 3 October 2007

O demónio que dançava com fantasmas ao luar

Não foi a ave canora que me sussurrou, languidamente, naquela noite em que os fantasmas dançaram com os demónios ao luar, com o inebriante som de uma chama a crepitar, não foi a ave canora que me sussurrou o que agora vos vou contar...

E juraste silêncio, Caído... aqui não voltarás a entrar.

Esquecida na névoa que envolve - amante - o Tempo, esquecida na penumbra que acolhe - sôfrega - o velho peregrino que regressa das terras áridas fustigadas pelo teu nome, dorme agora a Dor. Invoco-a, agora.. para que jamais me falem de amor. Com o inebriante som de uma chama a crepitar, era eu o demónio que dançava com o teu fantasma ao luar. Ah.. nesse breve pas de deux sincopado não foi a ave mas um demónio alado que ousou sussurrar a dor á Dor. Poderia com pena, gravar pela pena, a pena a que foi condenado.. jamais será amado, nunca mais poderá amar. Mas ainda levita e dança com fantasmas ao luar.

E sussurraste, Caído... e Caído dançaste com a Dor ao luar...

Mas é o demónio que não ouve e nenhuma ave o vai sussurrar. É demónio que finge, é o demónio Esfinge, o homem ou a vida? É o demónio que finge viver como homem mas nenhum homem dança com fantasmas ao luar. Mas é invocado por uma chama a crepitar onde mulheres desnudas dançam loucas e o pas de deux sincopado é apenas um ser outrora alado que dança também.. com a sua Dor e com mais ninguém e levita enquanto observa a ave, moribunda e silenciosa, tentando voar para o fim do mundo onde o demónio não voltaria a entrar.

Tuesday, 25 September 2007

O teu pedido ( ou o som do silêncio )


De Fatima nada sei. Gestos opacos e sons de acordes, tudo faz parte de um imaginário consentido. Fatima- Lacrima, enevoando os sentidos, toldando - muito ao de leve.. muito ao de leve.. - a visão. Fatima, Lacrima, são elas que a toldam, são elas que a moldam, quando caiem assim, rebeldes, convulsas, com valsas, frémito em crescendo, compassos vigorosos com passos timidos mas seguros.

Compassos melódicos nos meus passos silenciosos... mas isso é o som do silêncio.. Ousem gritar para melhor o absorver... em silêncio, em silêncio... porque de Lacrima nada sei..


Somos assim um do outro há dois mil anos ou quase saboreando o tesouro da eternidade do auge.


Na loucura consciente de um erotismo latente erra, vagabunda, a palavra proibida que só no silêncio é compreendida. É no som do silêncio que a loba tem a sua metamorfose lambendo as feridas de uma alma adormecida, e talvez perdida.. e talvez perdida... e a loucura - sublime - em que exprime o desejo com a ferocidade e a ânsia de um orgasmo inalcançável, perceptivel e que aflora a pele.. a pele da louca, demente, não mente.. é a pele de loba a cair quando anoitece, é a mulher faminta que aparece, saciando a voracidade com palavras de amor, de desejo, de tão arrepiada aquece, num imenso fogo de Santelmo - derradeira candeia dos amantes, derradeira promessa de naufrágio - de tão extasiada funde, crava, grava, arranha, esgravata, corta, fere.. porque não é loba é já mulher...

Aqui fica o testemunho da Revelação. Para os vindouros, foi este o fim que nos coube: de Fatima nada sei. Mas absorto fico com a loucura consciente do som do silêncio.
Antes o fim que nos coube, se é que fim pode chamar-se, a este abraço em que somos um só astro, uma só estátua, uma só chama, um só tronco por toda a eternidade... mais livres porque um do outro, um ao outro acorrentados... ninguém nos venha em socorro, ninguém nos deslace os braços...

Tuesday, 17 July 2007

Porque vais adormecer, novamente, como uma rosa no deserto ao sentir o Siroco, transcrevo na minha casa o que escrevi na tua. Para ti, Desert Rose.

AGAIN AND AGAIN FORYOU

Desert Rose
Sonhei que sonhava contigo. Nesse sonho invocavas-me e pedias ternamente para te vir adormecer.. É isso que queres?.. Adormecer?.. Adormeço-te.( Vê a explosão de cores que envio para a tua mente... Big Bang - origem -, fogo, barcos a arder submergindo, água - em chamas -, água, mágoa, olhos rasos de água, mágoa, fere, queima.. fogo, chamas, origem, Big Bang e tu a dançar no espaço deixando cair sorrisos que criaram o mundo..)Ternura.. queres imagens de ternura na tua mente... não posso, não devo, sou eterno ( como tu ) não terno ( como tu ). Colombina e Arlequim, mascarados de desejo e expostos de amor. É ternura suficiente, ternura? Não... que disparate... a ternura nunca é suficiente. Nunca serás suficiente.( Fechaste os olhos.. já dormes? Já... já partiste.. não sonhes, não sonhes, não sonhes...)« Quero que me recordem assim, com um sorriso »« Nunca me deste um sorriso, não te posso recordar »Big Bang - origem - de sorrisos... nessa noite choveram sorrisos. Alegres, tristes, nostálgicos, melancólicos... barcos a arder carregados de sorrisos, entregues para recordação, guardados, guardados, guardados...chamas. Em chamas. Chamas-me? Vou. Chamaste-me sim... vim. Já dormes, já dormes mas não te atrevas a sonhar. Água, mágoa, olhos rasos, fere, arde, chama, chama-me, chamo-te... chamo-te!!Open your eyes... open your eyes...Lifeyes... Lifeyes...Open your eyes...

« Sweet desert rose
Each of her veils, a secret promise
This desert flower
No sweet perfume ever tortured me more than this
Sweet desert rose
This memory of Eden haunts us all
This desert flower, this rare perfume
Is the sweet intoxication of the fall »

Fallen Angel

E porque não podes cair no manto negro do esquecimento, e porque houve uma noite em que, bem mais que sorrisos, houve vinho, música e poesia... aqui deixo as nossas palavras, escritas no Tempo, num teclado a quatro mãos, num múrmurio a duas vozes...

A tua,
a nossa
sorte
morte
minha
Que só a nós aproxima...

Afasta
retem
Ilusão...

Na minha
na tua
mão...

Dou-te
Entrego-te
Entrego-me?
Ilusão, ilusão..

Sonho profundo
Paixão

E são promessas
e são quimeras
E sobretudo
A tua
a minha
ilusão.

Desmentidas
Infindáveis
Traidas
Enterradas

Procuro-te
escondes-te
no fundo
profundo
é hora...
é chegar
agora.

Trepa
sobe
agarra...

Trepadeira
ingénua
amarra.

Sonhos meus
sonhos teus
sonhos perdidos
alcançados...

Só nos teus
sonhos meus
estamos iludidos..
e sonhamos...

Num novo mundo
só meu, só teu,
em nuvens difusas

Sou assim e sou eu
és tu que usas
de mim, de ti,
do sonho que vivemos...
confusos...

Vai.
Caminha.
Segue.
Teu rumo.

Fui
Caminhei
e segui
e aqui estou
sem rumo..
Nova rota?..

Tuesday, 3 July 2007

Beauséant


- Confessa, templário! Confessa a adoração a esse demónio chamado Baphomet, confessa as sevicias e os actos sodomitas, confessa que cospem no Santo Madeiro enquanto injuriam nosso senhor Jesus Cristo. Abjura, infiel! Confessa!

- É triste ser chamado de infiel quando toda a minha vida foi uma longa batalha de sangue e dor, de lâminas quebradas e cicatrizes queimadas, de feridas abertas e memórias despertas, de abandonar campos de trigo pela espada do inimigo, de após beber tanta água inquinada embebida em fel, é triste carrasco de um deus ausente, ser chamado de infiel.

( Confesso os actos sodomitas praticados com camponesas. Forniquei-as que nem um demónio chamado Baphomet. Uma delas no derradeiro esgar de prazer do orgasmo incontido confessou-me que tinha um filho que vivia em Roma a quem todos chamavam Sua Santidade. Confesso tudo isso, ignóbil inquisidor. Confesso que enrabo a mãe do papa enquanto cuspo na Cruz de Cristo para a lubrificar. )

« The Majestic horns of Baphomet
are indeed our occult banners proudly up in the air!
The androgenious light of Lucipher
is our noble passion, most dear and rare!
Oh! Faustian spirit of conquest
May be thy allied in this infimious battle
Against the Arauts of Desrespect
Those who step with muddy feet
the sapient inscriptions of ourcradle.
To our strenghtening I proudly confess:
I worship thee, for they are my weapons to hurt god.
Oh! Great wings of Beelzebuth
Will you honour me and lay the head
of a son of caym, in the soft sands of Manitou
Where I'll sleep under this neophyth Sky of Anxiety.
For the dawn of Knowledge has a Southern Sign
Delfos will once again desveil its light
And those with eyes will drink this precious wine
But for the blind,
Ignorance shall be the only sight!
To our strenghtening I will re-affirm:
I worship thee. They are my Shield.
And their message I shall reveal.
Because: "Quod sciptum, Scripsi!"
And this Southern blend of esoteric sapience
This sensual Mediterranic Philosophy
Will be the only and holy science
And these lines both dream and prophecy!
"Ecce Homo!" - Those you'll call the Wise
Who will destroy this pitful hole
of common sense
of desrespect for the true occult devise
Those who from, the lambs, shall feel
the sharpened spears of Intelligence!
I worship thee.
"Quod sciptum, Scripsi!"I worship thee.
"Consummatum est!" »

Consummatum est... velhas histórias de fantasmas continuarão a viajar de boca em boca, purificando a saliva, acariciando o palato fundindo-se com a lingua... morrer como mártir após viver como um justo é algo que apenas um guerreiro pode alcançar... chega a cansar. Recordo a areia que via e sentia, pressentia e vivia, enquanto as via.. areias. Nas veias a vontade, no sangue a saudade, naqueles desertos do fim do mundo, naquele sentir tão esmagador e profundo, naquela casa que outrora habitei... a velha tenda branca ainda me aguarda e guarda, protectora, o pó de uma vida vã...

É hora de renascer.